Idolatria, o Evangelho, e a Imitação de Deus

Porque evangélicos tem tido tanto interesse nos ídolos?

Jason Hood, do Christianity Today

24/03/2011

Qual é a maior ameaça à missão cristã e à evangelização mundial? No recente congresso Lausanne na Evangelização Mundial na cidade do Cabo, Africa do Sul, Christopher J.H. Wright citou a idolatria dos crentes como o maior obstáculo para a missão mundial. No seu vasto texto The Mission of God (A missão de Deus), Wright detalha a idolatria e oposição à missão nas escrituras, e ele aplica as introspecções do seu livro na sua crítica da idolotria contemporânea. Estamos gratos ao seu trabalho e livros recentes de idolatria de Timothy Keller “Counterfeit Gods”(Deuses Falsos, da editora Thomas Nelson), “Greed as Idolatry” (A Ganância como Idolatria, sem tradução no Brasil), e Greg Beale “We become what we worship” (Nòs nos tornamos o que nós adoramos, ainda sem tradução no Brasil), o espectro da idolatria está crescendo em tamanho no radar de muitos evangélicos. Em um ensaio escrito ao avançar do livro, Rosner  define idolatria como “um ataque aos direitos exclusivos de Deus para o nosso amor, confiança e obediência.” A rejeição das imagens físicas serviram como um marco importante dos antigos Judeus e Cristãos. Mas na Bíblia, “idolatria” não foi limitada à oposição de imagens, porque nosso amor, confiança e obediência são presos à princípios e deuses mesmo se eles não estão associados com um ídolo físico. Então imoralidade sexual e ganância estão ligados à idolatria (Colossenses 3:5; Efésios 5:5) apesar de eles nem sempre envolverem uma imagem tangível.

Idolatria é perigoso porque quase sempre envolve a oferta de coisas boas como substitutos de Deus. Wright destaca 3 pares de ídolos : poder e orgulho, sucesso e popularidade, e riqueza e ganância. Keller, de forma similar, destaca dinheiro, sexo e poder, nada que até mesmo igrejas e esforços ministeriais podem se tornar ídolos. A tese bíblica principal de Beale é, “Todos os humanos foram criados para refletir seres, e eles irão refletir o Deus verdadeiro ou alguns objetos na ordem criada. Desta forma… o tema primário deste livro, nós nos assemelhamos ao que reverenciamos, seja para a ruína ou restauração.“ Esse tema é encontrado sucintamente em Salmos 115:8 “Aqueles que fazem ídolos são como eles; assim como todos os que neles confiam” . Ao longo do antigo testamento esse princípio teológico levou profetas ao sarcasmo dos inimigos de Israel ou ao próprio Israel : Eles são tão cegos, surdos, mudos e de coração duro quanto madeira e deuses de metal; aqueles que adoram ídolos irão refletir seus traços. A aplicação se intensifica. David B. Hart exemplifica uma ilustração vívida do mundo antigo : Atargatis, a “Deusa Síria”, foi uma amante exigente. Por uma coisa, seus sacerdotes (os gauleses) poderiam ganhar a sua afeição castrando a si próprios.

De acordo com “De Dea Syria”(trabalho em latim) atribuído à Luciano de Samosata, um jovem disposto a dedicar-se ao serviço em Hierápolis, teve que fazer a primeira e mais extravagante oferenda a um dos dias santos dela, em forma de ecstasy divino, com um único golpe cortante de uma espada sagrada mantida em seu templo.

Agora, admitidamente, todos nós fazemos o nosso melhor para guardar um tesouro no céu, e eu suponho que não se deve lançar muitos julgamentos autoritários nas devoções das outras pessoas; mas eu penso que a maioria concorda que isso foi uma soma exorbitante para por em uma barganha incerta.

Cultos como o de Atargatis incluem o tema importante resumido por Beale. Quando a adoração envolve eliminar a habilidade de reproduzir, o adorador se torna tão impotente quanto a sua deusa, que é um ídolo morto, incapaz de criar ou sustentar vida.

Mais próximo geograficamente, ideologicamente e temporariamente, nós encontramos o mesmo efeito. A famosa estátua da liberdade nos Estados Unidos. Muitos americanos não tem consciência que a imagem no alto da base é a deusa romana Libertas(deusa que representa a liberdade).

Agora nós não podemos adorar essa deusa de uma maneira tradicional mas não é exagero dizer que nossa submissão radical ao eu e à independência é adoração idólatra, nem que tão adoração se manifesta em ofertas extravagantes de dinheiro gasto em sacrificados relacionamentos – até o sacrifício dos não nascidos. E mesmo se nós adorarmos a liberdade, nós podemos nos tornar a personificação de Libertas, incapaz de experimentar a dependência saudável de Deus e outros, como os demais descobrem que não podem depender de nós.

Liberdade pode ironicamente nos escravizar, mutilando nosso serviço a Deus e ao próximo.

A tentação da idolatria é multifacetada e sempre presente, e portanto deve ser combatida sem pausa. Harmonizando Keller, Wright, Beale e as Escrituras nos leva a 3 antídotos :

(1)        A identificação dos ídolos e suas atrações

(2)        A leitura do evangelho e suas promessas de destruição de ídolos

(3)        A adoração e imitação de um verdadeiro Deus ao invés de falsos deuses

Com relação ao 1º item, a batalha requer consciência perspicaz dos caminhos em que nós estamos seduzidos e influenciados pela cultura e seus deuses. Como Wright cita em The Mission of God (A missão de Deus), “deuses falsos destroem e devoram vidas; eles presidem sobre a injustiça, ganância, perversão, crueldade, luxúria, e violência. É possivelmente a dimensão mais satânica do seu poder enganoso, que apesar de tudo isso, eles ainda influenciam pessoas que imaginam ser beneficiadas por protetores beneficentes de suas identidades de adoradores, dignidade e prosperidade, e devem portanto ser defendidos a todo custo. Apenas o evangelho pode desmascarar essas alegações.” Keller, do mesmo modo, enfatiza o evangelho como antídoto.

Analizando o 2º item, nós começamos a destruir o poder dos ídolos acreditando nas boas novas de tudo o que Deus oferece suas imagens humanas quebradas na pessoa e serviço de seu filho. Em Cristo nós recebemos uma nova identidade como filhos amados de Deus que estão encorajados de aceitação, perdão, vida de ressurreição, e uma herança global. Essa identidade é disponível separada de sucesso, popularidade, criatividade e riqueza. Deus nos dá redenção apesar de nossas falhas, pobreza, e aridez espiritual. Ele testifica as provas do seu amor no sangue de Jesus pelos pecadores, na sua ressurreição que doou a própria vida, e no presente capacitador do Espírito de Adoção.

Em relação a adorar o verdadeiro deus a tese de Beale cita a possibilidade de “nos tornarmos aquilo que adoramos” para o bem e para o mal. “Todos nós somos imitadores e não há neutralidade,” diz Beale. “Nós somos ou conformados com um ídolo do mundo ou com Deus.” Nos capítulos finais do livro, Beale começa a explorar esse padrão negligenciado de ensinamentos bíblicos : aqueles que adoram o Deus de Israel se tornam como ele, preenchendo seu destino conforme a retidão e santidade de Deus, e o Filho que é sua perfeita imagem (Mateus 5:48, Romanos 8:29; Efésios 4:32 ; Colossenses 3:5-10).

A essência do arrependimento não é apenas a fé, o pesar, ou a aceitação passiva do perdão. Arrepender-se da ilolatria envolve mudança real, adoração e imitação do Pai e Filho. Wright resumiu a tarefa nas reflexões de Lausanne (2010) : “Poucas coisas podem ser mais importantes que a missão da igreja de Jesus Cristo que aquela daqueles que clamam seu nome poderiam ser como ele, carregando a sua cruz, negando a eles mesmos, e seguindo ele nos caminhos da humildade, amor, integridade, generosidade e servidão.”

Como Bob Dylan disse, “Você tem que servir a alguém”. Abastecido das promessas do evangelho de escravidão para ídolos mortos, Cristãos escolhem adorar e imitar o Deus verdadeiro e seu filho. Quando isso acontece, eles mudam, e começam a refletir a semelhança gloriosa de autodoação e do filho que reina, ressuscitado. (2 Cor. 3 :18)

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Espírito. ligação permanente.

2 respostas a Idolatria, o Evangelho, e a Imitação de Deus

  1. Flávio Moreira diz:

    Gustavo, paz! Olhe este link, veja se é bom mesmo. http://www.youtube.com/watch?v=xFIFzEWNCKI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s